Ela estava ali, parada. Apavorada
. Todos que passavam por ela não prestavam a mínima atenção no sofrimento da
pequena, e os que prestavam, nem sequer ajudavam-na.
Eu estava li, olhando para ela
através daquela grande janela e sua vista apresentava cenas maravilhosas e ao
mesmo tempo, devastosas. O olhar da menina, da criança, mostrava aquele
desespero profundo e apavorante. Nem sequer um adulto foi capaz de parar por
alguns segundos de sua vida corrida para ajudar aquela pequena criança. Pode
ser até aquela velha desculpa que “não tenho tempo para isso ou aquilo” ou “não
posso perder o meu tempo com essa
bobagem! A criança deve ter pai!” Mas enquanto você perde alguns segundos de
seu tempo, ela ganha a vida.
Eu, por outro lado, queria muito
ajudar aquele anjinho, mas não podia sair de jeito nenhum de trás daquela
janela. A criança fazia de tudo para achar seus pais, mas nada adiantava. Seu
choro passou a ser um ruído muito forte que sintonizava com o barulho da
cidade. Até que, depois de muito choro, a menina achou uma ajuda confiável e
saiu andando com o homem.
Enquanto eu observava a pequena,
pessoas chegavam em meus ouvidos e comentavam: “que dia bonito hoje, hein?” ou “que
cidade maravilhosa!” e nem sequer abaixavam a cabeça para olhar o sofrimento
nas ruas, escondendo-se atrás daquela janela.

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