quinta-feira, 14 de junho de 2012

PT: 05 "Um Olhar Além da Janela"



Ela estava ali, parada. Apavorada . Todos que passavam por ela não prestavam a mínima atenção no sofrimento da pequena, e os que prestavam, nem sequer ajudavam-na.
Eu estava li, olhando para ela através daquela grande janela e sua vista apresentava cenas maravilhosas e ao mesmo tempo, devastosas. O olhar da menina, da criança, mostrava aquele desespero profundo e apavorante. Nem sequer um adulto foi capaz de parar por alguns segundos de sua vida corrida para ajudar aquela pequena criança. Pode ser até aquela velha desculpa que “não tenho tempo para isso ou aquilo” ou “não posso perder  o meu tempo com essa bobagem! A criança deve ter pai!” Mas enquanto você perde alguns segundos de seu tempo, ela ganha a vida.
Eu, por outro lado, queria muito ajudar aquele anjinho, mas não podia sair de jeito nenhum de trás daquela janela. A criança fazia de tudo para achar seus pais, mas nada adiantava. Seu choro passou a ser um ruído muito forte que sintonizava com o barulho da cidade. Até que, depois de muito choro, a menina achou uma ajuda confiável e saiu andando com o homem.
Enquanto eu observava a pequena, pessoas chegavam em meus ouvidos e comentavam: “que dia bonito hoje, hein?” ou “que cidade maravilhosa!” e nem sequer abaixavam a cabeça para olhar o sofrimento nas ruas, escondendo-se atrás daquela janela. 

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